A Artista
Bacharelado em Ciências Econômicas – UNIFAE – Curitiba – PR
Bacharelado em Ciências Contábeis – UFPR – Curitiba – PR
Bacharelado em Escultura – EMBAP – Curitiba – PR
Pós-graduação em História da Arte – EMBAP – PR
ANA GODOY
O mundo dá muitas voltas e o que se iniciou na infância como um genuíno encantamento por desenhos, pinturas e esculturas que chegavam a seus olhos, se transformou muitos anos depois na mais consistente escolha profissional de sua vida.
Pode-se perceber que a produção escultórica que realiza possui alguns aspectos essenciais: a figuração, o conteúdo sociológico e a materialidade. Sendo assim, sua obra busca dentro dos entes sociológicos o conteúdo intrínseco que expressa o cotidiano contextualizado.
Nas palavras da artista, trago toda a historicidade expressa dentro do conteúdo abordado, e os problemas sociais afloram de forma lúdica, atraente e hipnotizante, porém imanentes à obra, subjacentes, como uma entrelinha que espera para ser “lida”. Para tanto, utilizo-me de várias técnicas de modelagem, moldagem e fundição, diversos materiais clássicos e contemporâneos, como bronze, alumínio, resina, ferro, aço, fibra de vidro, plástico, cerâmica, limalhas e objetos do cotidiano agregados à obra final. O trabalho está intimamente ligado à pesquisa de materiais e de técnicas, buscando as melhores formas de expressar o conteúdo buscado. O material é essencial, pela expressividade que detém, pela transmissão do processo de trabalho, do tempo e da própria falibilidade do material.
Como resultado, obras inspiradas em elementos da vida real, como a figura humana ou até mesmo abstrações, que partem de motivos cotidianos, mas carregam toda uma gama de cultura acumulada. O conteúdo sociológico, inspirado na vida humana e nos valores sociais e históricos, focam trajetórias de vida, realçando sua expressividade e sua força.
Há uma busca entre o fazer e o deixar fazer, quando a obra assume papel preponderante em sua própria existência, uma espécie de geração espontânea ou auto-determinismo induzido, em que é feita uma provocação, indução ao desencadeamento de ações sucessivas internas, testando limites em busca do inesperado ou desconhecido. Nessas ações sucessivas (e alternadas) de controle e acaso, surge um inevitável diálogo entre a obra e o artista, que se pode denominar de escultura investigativa. Para a artista, fazer esculturas é testar possibilidades, levantar hipóteses. A criatividade é uma busca do desconhecido, uma sucessão de tentativas, é surpreender-se diariamente com descobertas que levam a outras descobertas. Fazer esculturas é a miscigenação de possibilidades em que só se descobre o resultado durante o encontro.